Empresário nega ingerência política na tentativa de venda de vacina chinesa em contrato de R$ 5 bi

Empresário nega ingerência política na tentativa de venda de vacina chinesa em contrato de R$ 5 bi
24 ago 2021

Transcrição
SÓCIO DE LABORATÓRIO QUE TENTOU VENDER VACINA CHINESA NEGOU INGERÊNCIA DO LÍDER DO GOVERNO NOS NEGÓCIOS DA FARMACÊUTICA. OPOSIÇÃO ALERTA QUE MINISTÉRIO DA SAÚDE PRIORIZOU “ATRAVESSADORES” ENQUANTO GOVERNISTAS COBRARAM OBJETIVIDADE NOS DEPOIMENTOS. REPÓRTER HÉRICA CHRISTIAN. O empresário Emanuel Catori afirmou que a Belcher Farmacêutica foi representante e não uma mera intermediária ou facilitadora do laboratório chinês Cansino entre abril e junho deste ano. Disse que em maio enviou ao Ministério da Saúde um e-mail solicitando agenda para apresentar a oferta de 60 milhões de doses da vacina chinesa Convidecia. Segundo ele, desse encontro, saiu uma carta de intenções sem a assinatura de qualquer contrato. Apesar de confirmar proximidade com o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, do PP do Paraná, que teria conseguido agendar reuniões anteriores no Ministério da Saúde, Emanuel Catori negou ingerência política nas negociações com o governo federal. O deputado Ricardo Barros não participou da reunião sobre a vacina Convidecia no Ministério, tampouco fez gestões com órgãos nesse sentido. Não há vínculo comercial ou societário direto ou indireto da Belcher e seus sócios com o referido Parlamentar. Afirmo categoricamente que toda a atuação e interface institucional da Belcher perante o Poder Público e suas parceiras nacionais e internacionais privadas se deu, como sempre se dá, com boa-fé, de forma totalmente ética, técnica, profissional e regular. Emanuel Catori não detalhou o descredenciamento da Belcher pela Cansino, que, segundo ele, alegou questões de compliance, ou seja, motivação ética. E comentou que a Belcher estuda uma ação judicial contra o laboratório. Ele também negou superfaturamento no preço da vacina negociada a US$ 17 a dose contra US$ 10 da Janssen, que também é de aplicação única. Emanuel Catori alegou confidencialidade para não revelar quanto a Belcher receberia por esse contrato, que, segundo a Cansino seria por quantidade vendida. O senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, voltou a questionar a conduta do Ministério da Saúde que recebeu empresas intermediárias no lugar dos grandes laboratórios. O Ministério da Saúde teve, realmente, o mesmo modus operandi desde o início: empresas que não tinham experiência na área de vacinas e outras que não tinham nem experiência na área de medicamentos foram priorizadas para estabelecerem uma relação na intermediação da venda de vacinas. Então, é importante a gente ter essa informação, que demonstra como o ministério foi incompetente nesse processo todo que nós vivenciamos. Já o senador Marcos Rogério, do Democratas de Rondônia, argumentou que o depoimento do empresário foi uma tentativa da CPI de atacar o deputado Ricardo Barros ao ressaltar que esse contrato de venda sequer foi assinado pelo Ministério da Saúde. Qual resultado pretendido com esse depoimento de hoje? Será que é constranger o líder do governo, o Deputado Ricardo Barros? É esse o objetivo da CPI? Se for, acionem o Conselho de Ética da Câmara, se é que tem evidências contra ele, mas não use a CPI para promover uma perseguição política. Do que nós estamos apurando aqui, qual é o elemento de fundo a justificar todo esse esforço por nada? Não teve contrato, não teve uma dose sequer contratada, não houve uma entrega e não houve um pagamento. Em depoimento à CPI da Pandemia, o deputado Ricardo Barros negou ter favorecido a Belcher Farmacêutica. A empresa é investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal por suspeitas de superfaturamento na compra de testes rápidos para a covid-19.  Da Rádio Senado, Hérica Christian.

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